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CRIANÇA X FEBRE

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Por Isabelle Lindote
isabelle@bemleve.com.br


Uma das principais causas de visita ao consultório pediátrico, a febre tem duas funções importantes: alerta que algo não vai bem e contribui para a dinâmica do sistema imunológico, porque ativa os anticorpos na defesa do organismo. Entretanto, esse sinal de alerta é geralmente compreendido pelos pais como “inimigo” e não “aliado” no restabelecimento da saúde. A idéia equivocada de que atacando a febre controla-se o problema, além do medo da convulsão, fazem com que eles lidem de forma errada com o sintoma. Comportamento que contribui para retardar o diagnóstico.

A febre é apenas um sintoma que pode acompanhar tanto doenças de pouca gravidade como aquelas de grande complexidade. “Entre as doenças virais que podem se manifestar com a febre estão: o resfriado comum, a gripe e as diarréias. São manifestações de curta duração e pequena gravidade se abordadas adequadamente. A maioria de cura espontânea”, explica o diretor médico do Prontobaby – Hospital da Criança, o pediatra Guilherme Sargentelli, do Rio de Janeiro. “Outras, como a meningite, são graves e podem deixar seqüela”, completa.

Ele ensina que situações simples, como a exposição prolongada ao sol, ou ainda agasalhar demasiadamente o recém-nascido, podem levar a um estado febril. “Nestes casos, basta tirar o excesso de roupa da criança e deixá-la abrigada do sol para que se restabeleça a temperatura normal”, orienta.

Convulsão febril: doença benigna
Coordenadora da emergência do Prontobaby – Hospital da Criança, a pediatra Carla Reis Lucas afirma que o medo de convulsão causada pela febre alta é exagerado. “Ao contrário do que os pais pensam, a causa não é apenas temperatura alta, mas sim a velocidade com que ela se eleva”, explica.

A médica fala com a autoridade de quem, além de deter o conhecimento e a experiência profissional, vivenciou a situação na família. Seu filho de 4 anos teve convulsão por causa da temperatura corporal que abruptamente chegou a 40,5 oC. A causa, esta sim, era séria: meningite. “A partir desse sinal de alerta e do acompanhamento da forma de manifestação da febre, iniciamos a investigação que levou ao diagnóstico da meningite, que foi tratada e debelada”, conta a pediatra.

Guilherme Sargentelli acrescenta que a convulsão febril acomete apenas de 2% a 5% das crianças de 5 meses a 5 anos de idades. “É uma doença benigna, que não deixa seqüela”, tranqüiliza.

Como agir no caso de febre:
- Banhos com água na temperatura ambiente estão sempre indicados para baixar a febre. Eles facilitam a troca de calor e aceleram a queda da temperatura. Deixe a criança na banheira por mais ou menos 10 minutos;
- Outro recurso pode ser as compressas de água fria, aplicadas na cabeça, axilas e virilha;
- Procure manter o ambiente arejado, evitando-se, obviamente, a exposição desnecessária ao frio
- Qualquer medicamento deve ser utilizado com orientação médica;
- Procure fazer a criança se alimentar, mas não a force, pois pode levar a vômitos e mal-estar;
- Esteja atento à hidratação – ela é essencial uma vez que a febre provoca a perda de liquido pela transpiração;
- Crianças com febre não devem ser encaminhadas aos berçários, creches e escolas. Esta medida evita a transmissão de doença contagiosa ainda não diagnosticada e é um sinal de respeito ao próximo.

Como agir durante a convulsão febril:
- Mantenha a calma para que se possa, efetivamente, ajudar;
- Lembre-se que a melhor posição para a criança é a deitada, pois ajuda e evitar quedas e traumas;
- Mantenha os braços e pernas da crianças livres;
- Afrouxe as roupas apertadas e proteja a cabeça da criança com a mão, roupa ou travesseiro;
- Esteja atento a todos os detalhes durante a crise, para que possa relatá-los ao médico;
- Busque atendimento médico de imediato para investigação das possíveis causas da convulsão;
- Não dê banho nem use compressas com álcool para tentar baixar a febre durante a convulsão;
- Não tente medicar a criança neste momento, o que poderá provocar engasgos ou ferimentos.

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